O Potássio Sérico É Um Bom Indicador?

Como Devo Proceder A Investigação?

 

O hiperaldosteronismo primário é a síndrome resultante da produção excessiva de aldosterona pela córtex adrenal independente da estimulação do eixo renina-angiotensina. As principais causas são adenoma produtor de aldosterona e hiperplasia bilateral macro ou micronodular (hiperaldosteronismo idiopático).

 

Estudos recentes têm demonstrado que a prevalência do hiperaldosteronismo primário é bem maior do que a que se acreditava anteriormente, atingindo valores entre 12 e 20% na população de hipertensos, em especial entre os portadores de Hipertensão Arterial Resistente.

 

O diagnóstico de hiperaldosteronismo primário é difícil por várias razões. Primeiramente porque muitos pacientes são assintomáticos exceto pelos níveis tensionais persistentemente elevados. A grande maioria dos sintomas é decorrente da hipocalemia, que não se encontra presente em 24 a 80% dos pacientes nas diferentes séries. Além disso, os métodos tradicionais de investigação, além de complicados, traziam riscos para os pacientes, pois era necessário suspender praticamente todas as drogas anti-hipertensivas por 3 semanas. A partir da dosagem sérica da aldosterona/atividade de renina plasmática, tivemos um divisor de águas nesta situação, por se tratar de um método prático e seguro para o rastreamento e diagnóstico do hiperaldosteronismo primário. Devido a alta prevalência de hiperaldosteronismo primário e secundário em hipertensos resistentes, o uso de antagonistas da aldosterona nestes pacientes está se tornando cada vez mais freqüente. Ele é preconizado como 4ª ou 5ª droga anti-hipertensiva em hipertensos resistentes verdadeiros. Sua utilização está indicada mesmo sem investigação prévia de hiperaldosteronismo.

 

Fluxograma Aldosterona Renina

Fluxograma de investigação do Hiperaldosteronismo Primário.

 

Referências:

 

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